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Pesquisa mostra perfil do processo de endividamento pelas pessoas físicas no país

28 de fevereiro de 2015 - 7:41

Resultados preliminares da pesquisa qualitativa recente do Banco Central do Brasil sobre os consumidores de produtos financeiros em situação de endividamento excessivo e com restrições cadastrais servirão de subsídio para o desenvolvimento de ações de educação financeira e de estratégias possíveis para saírem desta posição. O estudo visa entender o processo e as motivações que levam os consumidores a esta condição, e conhecer os produtos de crédito adotados por eles.

A pesquisa identificou algumas motivações para se começar o endividamento em excesso. Entre as principais, temos:

  • Fatos inesperados, como a perda de emprego e renda, doença própria e de familiares, morte do responsável pela renda da família, gravidez não planejada e separação conjugal;
  • Inexistência de planejamento financeiro, com compras por impulso, diversos parcelamentos de compras e utilização em demasia de linhas de crédito e sem controle;
  • Empréstimo do nome para terceiros utilizarem em financiamentos ou em uso do cartão de crédito.

Adicionalmente, os consumidores pensam que as linhas de crédito podem lhes ajudar, porém destacam “armadilhas” escondidas em empréstimos e financiamentos, tais como a oferta em excesso de crédito, a falta de informações sobre as condições de financiamento, a concessão de limites de crédito acima da capacidade de pagamento e o valor mínimo para o pagamento das faturas.

Ainda, a pesquisa demonstra que o endividamento excessivo gera impactos financeiros e emocionais significativos.

Paralelamente, vários entrevistados citam a dificuldade de sair da situação de endividamento devido aos juros excessivos cobrados no mercado e a inflexibilidade dos credores para renegociação das suas dívidas, resultando em maior inadimplência, no acúmulo de dívidas e na criação de uma “bola de neve”.

O reconhecimento do problema de endividamento pelos consumidores só acontece quando as contas começam a chegar, as cobranças são iniciadas ou percebem não ter recursos para saldar as dívidas. Mas, como um ponto positivo, reconhecem que podem ter um aprendizado vivenciado por esta condição de endividamento excessivo, inclusive iniciando a utilização de planilhas para o controle de despesas e receitas, e do próprio orçamento familiar. Neste caso, a organização financeira passa a ser implementada de forma mais usual.

 Os entrevistados ressaltam que a responsabilidade da situação do endividamento é dividida entre eles próprios e as instituições financeiras em que têm relacionamento, uma vez que em alguns casos estas últimas usam de “armadilhas” conforme descritas anteriormente.

Ao tomar consciência deste cenário de descontrole financeiro pessoal, vários entrevistados ressaltam que buscam orientação de amigos e familiares, e tentam solucionar o problema procurando um entendimento com as instituições financeiras envolvidas. Quando não conseguem a negociação, muitos dizem que desistem do pagamento das dívidas, esperando a prescrição, ou esperam que os credores lhes apresentem propostas melhores de renegociação.

Em relação à prescrição, vale ressaltar que a mesma não representa uma estratégia premeditada para o não pagamento das dívidas, sendo o prazo de cinco anos muito longo, com efeitos bastante negativos do ponto de vista emocional e material.

Os entrevistados também mencionaram que, no período com restrições cadastrais, utilizaram cartões de crédito e cheques de de familiares.

Por fim, com base em suas experiências, os participantes indicaram os seguintes caminhos para a saída da situação de endividamento em excesso:

  • Controlar o orçamento e as finanças via planilha;
  • Permanecer apenas com um cartão de crédito, eliminando os demais;
  • Ter reserva financeira, poupando e economizando dinheiro;
  • Evitar manter muitas linhas de crédito com valores elevados;
  • Renegociar dívidas apenas se o credor diminuir os juros da dívida principal;
  • Não realizar compras em um número elevado de parcelas.

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