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A economia brasileira tem sentindo o impacto da pandemia de Covid-19, iniciada em março de 2020.

A atividade econômica no país, medida pelo PIB (Produto Interno Bruto), registrou uma queda de 4,1% em 2020. Já o PIB per capita (por habitante) mostrou uma diminuição de 4,8% no período.

Analisando o comportamento do PIB nos últimos anos, vale destacar que este indicador apresentou um pequeno crescimento entre os anos de 2017 e 2019, após a forte recessão registrada em 2015 e 2016.

Com isso, a média anual do PIB entre os anos de 2014 e 2020 atingiu uma variação negativa de 0,89%, conforme podemos observar no gráfico a seguir:

Verificando a evolução do PIB trimestral entre os anos de 2014 e 2020, conforme demonstrado no gráfico a seguir, podemos identificar 5 diferentes momentos da economia brasileira:

1) O aprofundamento do período recessivo, do 1T14 até o 4T15;

2) A continuidade da recessão, com índices ainda negativos, porém, em menor grau, do 1T16 ao 4T16;

3) A melhora da economia, com índices positivos, mas, em patamares ainda baixos, do 1T17 ao 4T19;

4) A queda abrupta do PIB devido, essencialmente, à covid-19, do1T20 ao 2T20;

5) A forte recuperação da atividade econômica, porém, ainda em patamar acumulado negativo, do 3T20 ao 4T20.

Espera-se que este último movimento de recuperação continue em 2021, com expectativa de crescimento do PIB anual na faixa de 3,0 a 4,0%, inclusive, considerando a base de comparação mais fraca do período anterior.

Em outra vertente, analisando o comportamento mensal da inflação e dos juros, podemos observar, conforme o gráfico a seguir, que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) estava se mantendo em movimento de declínio entre dezembro de 2019 a maio de 2020, quando iniciou um movimento de subida, atingindo taxas não observadas desde o final de 2016.

Tabelas – fonte dos dados: BCB, IBGE e IPEA – Elaboração: MERCADO FINANCEIRO

Entre os fatores que impactaram o aumento da inflação, estão:

I – A forte elevação dos preços das commodites (mercadorias precificadas no mercado internacional), como o minério de ferro, o cobre, o trigo e a soja, decorrentes do desequilíbrio entre a oferta e a demanda mundial, com grande influência da China;

II – A forte oscilação do dólar frente ao real, próxima a 50%, entre janeiro e maio de 2020;

III – A entrada de recursos originados no auxílio emergencial, a partir de abril de 2020, garantindo maior poder de consumo para a população;

IV – Problemas na cadeia de fornecimento de insumos para a indústria, devido à covid-19.

Neste contexto, a taxa de inflação medida pelo IPCA (utilizado como balizador das metas de inflação), ficou acima da taxa Selic a partir de julho de 2020. Em abril de 2021, a diferença entre os dois indicadores já se encontrava em 3,90%.

Vale ressaltar que a meta de inflação para 2021, definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), contempla o centro da meta em 3,75%, com um intervalo de 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima e para baixo.

Assim, em abril de 2021, a diferença do IPCA frente ao centro da meta de inflação atingiu 2,9% e frente ao seu limite superior (5,25%) alcançou 1,43%.

Ou seja, esta “folga” (ou “descontrole”) da inflação precisa ser recuperada e o Banco Central do Brasil (BCB), como agente garantidor da estabilidade e do poder de compra da moeda, executa a política monetária, aplicando importantes instrumentos, como a elevação da taxa Selic.

Já a dívida pública do país, outro importante elemento da economia brasileira, tem apresentado uma elevação constante desde 2013, conforme demonstrado no gráfico a seguir:

A dívida líquida do setor público, que considera os créditos e o endividamento do governo geral (federal, estados e municípios), do Banco Central e das empresas estatais, passou de 30,5%, em dezembro de 2013, para 61,3%, em março de 2021. O endividamento bruto (sem considerar os créditos) passou, no mesmo período, de 51,54% para 89,07%.

Destaca-se a forte oscilação da dívida líquida nos anos de 2016 (+10,50%) e 2020 (+8,15%), impactados, respectivamente, pela recessão econômica e pela covid-19.

Este aumento da dívida pública tem influência direta no orçamento do governo, pois gera um maior pagamento de juros. Apenas no acumulado do ano de 2020, o déficit primário (receitas menos despesas) alcançou 9,44% do PIB e o déficit nominal (também inclui os juros) atingiu 13,63% do PIB brasileiro.

Adicionalmente, a elevação da dívida pública tende a afetar diretamente as taxas de juros de mercado, uma vez que o governo necessita financiar seu orçamento deficitário e também rolar a dívida já existente, via emissão de títulos da dívida pública.

Do ponto de vista das contas externas brasileiras, as reservas internacionais se encontram em patamar confortável, na faixa de US$ 356 bilhões ou 25% do PIB.

Analisando o balanço de pagamentos – que contabiliza as transações de bens, serviços e capital com o exterior -, podemos ressaltar o resultado das seguintes subcontas:

  • Transações Correntes – que inclui as subcontas de balança comercial (exportações e importações), de serviços (como viagens e transportes) e a renda primária (juros e lucros, e dividendos) – com saldo negativo de US$ 24,1 bilhões em 2020, melhor que 2019, quando foi registrado um saldo negativo de US$ 65,0 bilhões em 2019.
  • Conta Financeira – que inclui investimentos e empréstimos – com saldo positivo de US$ 21,8 bilhões em 2020, pior que 2019, quando foi registrado um saldo de US$ 64,4 bilhões em 2019.

De um modo geral, as contas externas brasileiras em 2020 foram beneficiadas pelo aumento do dólar frente ao real, de 29,33% no ano, e pela elevação dos preços das commodites, contribuindo positivamente para o resultado de algumas contas, como da balança comercial (exportação menos importação) e de viagens.

Por fim, vale mencionar que a economia brasileira deve ser favorecida pela retomada da atividade econômica nos países avançados (EUA, Japão e Zona do Euro) e emergentes (China, Índia, Rússia e África do Sul) ao longo do ano de 2021. Espera-se neste contexto, uma forte diminuição da Covid-19 em países como EUA, China e Inglaterra.

Por outro lado, uma forte retomada da atividade nos EUA, associada à atual forte liquidez monetária, pode significar uma potencial volta da inflação, ainda que em baixos patamares, porém, o suficiente para refletir na elevação dos juros americanos, com capacidade de gerar consequências negativas no mercado financeiro internacional e, inclusive, no Brasil.

A melhoria da atividade econômica no país também dependerá do ritmo da vacinação e da forte redução e controle da pandemia da covid-19.

O risco hidrológico é um ponto de atenção, que deve contribuir negativamente para o controle da inflação.

A taxa de desocupação no trimestre encerrado em março de 2021, de 14,7%, com 14,8 milhões de pessoas desempregadas, é causa e efeito da menor atividade econômica, e é outro problema a ser combatido.

Vale lembrar que as potenciais e esperadas reformas tributária e administrativa, quando implementadas, se bem elaboradas, podem representar um fator favorável ao desempenho do mercado financeiro e da economia brasileira, seja no curto ou no longo prazo.

Do ponto de vista dos investimentos, a renda fixa e a renda variável estão sendo diretamente afetados pela alta da inflação e, consequentemente, da alta da taxa Selic.

Na renda fixa, os papéis prefixados e atrelados ao IPCA e à taxa Selic são beneficiados com a alta da inflação. Já os papéis prefixados e associados apenas aos juros fixos, estipulados no momento da compra, tendem a ser prejudicados.

Na renda variável, a princípio, a elevação da inflação medida pelo IPCA e da taxa Selic tende a significar um fator que desfavorece os investimentos, uma vez que as aplicações financeiras em renda fixa se tornam mais atrativas.

O aumento dos juros nominais e, principalmente, dos juros reais (acima da inflação) afeta a competição com a atratividade dos investimentos no mercado acionário. Quanto maior a elevação dos juros, maior a intensidade do impacto negativo na demanda por ações negociadas na Bolsa de Valores.

Visando otimizar os resultados e evitar perdas, os investidores precisam se atentar e antever aos movimentos da inflação e dos juros da economia, procurando antecipadamente adequar suas aplicações financeiras, seja na renda fixa ou na renda variável.

Elaboração: Equipe do MERCADO FINANCEIRO – Coordenação: Economista Nilton Belz, MSc. Economics

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