Imagem: Chris-liverani- Unsplash

Inflação, juros, atividade econômica e energia no mundo e no Brasil, e mercado imobiliário na China, com a empresa Evergrande, são fatores de preocupação do mercado acionário nos últimos dias.

O PIB da China registrou no 3° trimestre crescimento de 4,9% em comparação ao ano anterior, abaixo das expectativas dos analistas. A Covid-19 e os problemas dos setores de energia e imobiliário, e de produção e distribuição de mercadorias, foram os principais fatores para o baixo resultado do PIB.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos EUA registrou em setembro alta de 0,4% (em agosto subiu 0,3%). Em 12 meses, a elevação é de 5,4%. O índice para todos os itens, excluindo alimentos e energia, subiu 0,2% em setembro (em agosto ficou em 0,1%). O IPC americano ficou acima das expectativas dos analistas e refletiu efeitos da atual conjuntura econômica (alta das commodities e problemas na cadeia de distribuição e de custos de produção).

No Brasil, o último Relatório Focus, do Banco Central do Brasil (BCB), que resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado financeiro coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação, demonstra as seguintes mudanças em relação à semana anterior:

  • IPCA: em 2021 passou de 8,59% para 8,69% e, em 2022, passou de 4,17% para 4,18%;
  • Taxa Selic: ficou estável em 2021, em 8,25% e, em 2022, 8,75%;
  • PIB: em 2021 passou de 5,04% para 5,01% e, em 2022, passou de 1,54% para 1,50%.

Vale destacar que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro subiu 1,16%, 0,29 ponto percentual (p.p.) acima da taxa de 0,87% registrada em agosto. Essa foi a maior variação para um mês de setembro desde 1994, quando o índice foi de 1,53%. No ano, o IPCA acumula alta de 6,90% e, nos últimos 12 meses, de 10,25%, acima dos 9,68% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2020, a variação mensal havia sido de 0,64%.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em setembro. O maior impacto (0,41 p.p.) e a maior variação (2,56%) vieram de Habitação, que acelerou em relação a agosto (0,68%). Na sequência, vieram Transportes (1,82%) e Alimentação e Bebidas (1,02%), cujos impactos foram de 0,38 p.p. e 0,21 p.p. respectivamente. Esses três grupos contribuíram, conjuntamente, com cerca de 86% do resultado de setembro (1,0 p.p. do total de 1,16).  Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,01% em Educação e a alta de 0,90% em Artigos de residência.

Segundo o IBGE, em agosto de 2021, o comércio varejista recuou 3,1% em relação a julho, na série com ajuste sazonal. A média móvel trimestral teve variação de -0,5%. Na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista teve queda de 4,1%, primeira variação negativa após cinco meses de alta. O acumulado no ano ficou em 5,1% e o acumulado em 12 meses foi de 5,0%.

No cenário externo, o banco central dos Estados Unidos, Federal Reserve (FED), manteve a taxa de juros, na faixa entre 0% e 0,25% ao ano. Em paralelo, sustentou, por ora, a continuidade dos programas de crédito para as famílias e as empresas, inclusive da compra mensal de títulos do tesouro e de títulos lastreados em hipotecas, respectivamente, no valor de US$ 80 bilhões e US$ 40 bilhões.

Assim, o FED considera que as condições atuais permanecem relativamente estáveis, apesar da existência de fatores de risco, como a Covid-19, e que fatores transitórios estão deixando a inflação em patamar alto.

Porém, Jerome Powell, presidente do FED, indicou a possibilidade de iniciar o processo de redução dos estímulos monetários (“tapering”) ainda este ano.

Ainda, para acompanhar no radar do mercado financeiro, é preciso seguir a situação da incorporadora chinesa Evergrande, que detém uma dívida acima de US$ 300 bilhões e precisa saldar uma série de compromissos financeiros relativos à operações de empréstimos anteriormente contratados.

Pela sua importância na economia do país, inclusive considerando o setor imobiliário, fica a preocupação com efeitos de um possível não pagamento (default) de obrigações a vencer no curto prazo.

Também no ambiente da economia internacional, na Europa, existe a preocupação com a alta dos preços da energia, particularmente do gás e das fontes renováveis, impactando diretamente a inflação. Na China, a energia também é um fator de apreensão, com limitações à oferta, principalmente da origem de carvão.

Por fim, presente no radar dos investidores no Brasil, consta a reforma tributária, a questão fiscal, inclusive envolvendo o pagamento dos precatórios, e o ambiente político, fatores que ainda representam foco de atenção com potencial de impactar o comportamento do mercado financeiro do país.

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