Imagem: Chris-liverani- Unsplash

A política monetária será o centro de atenção neste semana no mercado financeiro.

As bolsas internacionais absorvem a preocupação sobre a situação da incorporadora chinesa Evergrande, com forte impacto negativo nos índices de hoje, inclusive no Ibovespa.

O FED (banco central dos EUA) se reúne na terça-feira, com divulgação na quarta-feira para decidir sobre o comportamento das taxas de juros do país. Qualquer indicação de possível modificação dos juros, ainda que para o futuro de curto e médio prazo, pode gerar impacto nas bolsas, nos juros e no câmbio.

Vale lembrar que foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos EUA, que registrou elevação de 0,3% em agosto e 5,3% em 12 meses (contra 5,4% para o período terminado em julho). Excluindo alimentos e energia, este último índice foi de 4,0%.

Estes números refletem um certo alívio momentâneo em relação à possíveis pressões inflacionárias no país e, por consequência, dos juros, mas não tira a preocupação dos investidores frente aos próximos movimentos da economia americana.

Na economia brasileira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) se reúne nos dias 21 e 22 de setembro para decidir sobre o comportamento da taxa básica de juros (Selic), com expectativa de elevação pelo mercado financeiro. No dia 28 será divulgada a ata explicativa da reunião, que deve mostrar a tendência para os juros no curto prazo.

Como fator de influência na decisão dos juros, é preciso levar em conta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, + 0,87%, a maior variação para um mês de agosto desde 2000 (1,31%), embora 0,09 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de 0,96% registrada em julho. No ano, o IPCA acumula alta de 5,67% e, nos últimos 12 meses, de 9,68%, acima dos 8,99% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em agosto de 2020, a variação mensal foi de 0,24%.

Ainda, para acompanhar no radar do mercado financeiro, é preciso seguir a situação da incorporadora chinesa Evergrande, que detém uma dívida acima de US$ 300 bilhões e precisa saldar esta semana compromissos financeiros relativos à operações de empréstimos anteriormente contratados. Pela sua importância na economia do país, inclusive considerando o setor imobiliário, fica a preocupação com efeitos de um possível não pagamento (default).

É importante lembrar que, como fator que não agradou ao mercado financeiro, o presidente Jair Bolsonaro editou na última quinta-feira decreto que eleva as alíquotas do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF), principalmente visando garantir recursos para o novo programa do Bolsa Família, vigorando entre 20 de setembro e 31 de dezembro de 2021.

A instituição do programa social Auxílio Brasil acarretará um acréscimo na despesa obrigatória de caráter continuado em R$ 1,62 bilhão neste ano. Em 2022, o financiamento do programa terá como fonte a recriação do imposto de renda sobre lucros e dividendos, que está em discussão no Senado Federal.

Os empréstimos para as pessoas físicas e jurídicas terão novas alíquotas anuais de IOF, passando, respectivamente, de 3,0% e 1,50% para 4,08% e 2,04%. Também serão afetados contratações de seguros, operações de câmbio e investimentos de curtíssimo prazo.

A arrecadação obtida com a medida custeará ainda as propostas de redução a zero da alíquota da contribuição para o PIS/Cofins incidente na importação de milho, com impacto de R$ 66,47 milhões no ano de 2021 e o aumento do valor da cota de importação pelo CNPQ, que acarreta renúncia fiscal no valor de R$ 236,49 milhões no ano de 2021.

No ambiente da economia internacional, na Europa, existe a preocupação com a alta dos preços da energia, particularmente do gás e das fontes renováveis, impactando diretamente a inflação.

O preço no mercado internacional do minério de ferro tem sofrido forte redução em decorrência de cortes de produção de aço e de oferta siderúrgica na China desde maio deste ano, afetando diretamente os negócios da Vale e das siderúrgicas, com reflexo nas cotações em bolsa.

É relevante salientar que os principais índices das bolsas americanas, NASDAQ Composite e Dow Jones, têm registrado recorde histórico de alta, originado, principalmente, nos bons resultados das empresas do país e no baixo patamar dos juros de mercado e estabelecidos pelo Federal Reserve (FED).

Por fim, presente no radar dos investidores no Brasil, consta a reforma tributária e o ambiente político, que ainda representam foco de atenção com potencial de impactar o comportamento mercado financeiro.

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